quinta-feira, setembro 2

come back ;

    Já me preocupei mais, sim. Admito, é a verdade. Não o desejei, aconteceu. Contigo deve ter acontecido o mesmo, já nada é como antes. Tudo mudou, nada ficou igual, nada ficou imóvel, tudo se mexeu formando um turbilhão de emoção, frieza, mas contudo, amor. É como se tudo tivesse tomado de reviravolta, o nosso coração, os nossos sentimentos. A culpa não é de nenhum de nós, é inevitável que pensemos que sim… Mas não é, eu sei que não, tu sabes que não… Mas eu em parte, mesmo com isto tento culpar-te, não por mal, mas por apenas não querer pensar que foi com o tempo, com actos que8 realizámos, com palavras e gestos mal interpretados e por muito que me custe a dizer, omissões e mentiras. Sem querer, lembro-me do passado. Algo que incapaz de se mudar, nem voltar atrás. Queria que fosse possível, queria mudar pequenas coisas, que naquele tempo nunca pensei que fossem marcar-te, pequenos actos, pequenas omissões… O facto de não ter acreditado que iriam ajudar a formar um muro entre nós, mesmo não sendo a principal causa, desanimou-me, perturba-me por dentro a toda a hora, tenho remorsos, raiva, angústia e sobretudo destrói-me por dentro. Sempre que penso no “nós”, aquele sentimento só nosso, aquela confiança, aquela ajuda, aquela paz na alma, aquela alegria, aquele sentimento que me conseguia colocar longe da tristeza, do vazio e da maldade. Era feliz, tinha tudo o que alguma vez quis. O “nós”, foi algo que eu no início nunca pensei que se formasse, não pensei que conseguisse mais do que a tua simples amizade, mas quando começámos a falar percebi que eras diferente, diferente de toda a gente que já tinha conhecido, quando percebi comecei a dar-te cada vez mais valor, e á medida que o “nós” foi evoluindo fui ficando agarrada a ti, e o medo de ficar sem ti, embora ainda não notável, foi-se formando e entrando na minha cabeça. A partir desse tempo, em que o medo se instaurou na minha cabeça, passou para o coração, criando um pequeno arrepio e bater acelerado do coração formaram uma decisão, uma decisão impossível de travar, algo que não pensei duas vezes, não precisava disso, confiei em mim, sabia que nada iria correr mal. Formou-se o “nunca te quero perder”. A partir daí, deite o máximo valor, fiz de tudo para não te desiludir, chatear ou deixares de me falar. Concentrei-me nas coisas boas, pus de lado tudo o que me importava além de ti, entreguei-me a ti e concentrei-me em dar-te tudo o que precisavas, fazer-te feliz… Só me importei contigo, só contigo… Eras sempre tu, tornaste-te a melhor pessoa, a minha vida. Em troca, eu recebia algo que nunca tinha sentido, nunca tinha estado tão bem. Preencheste-me a vida, estava completa. Tinha tudo, tinha-te a ti. Sentia-me única, sentia-me importante para ti, sentia que te preocupavas realmente. Eu lembro-me, quando me ligavas e eu ficava mesmo feliz com vontade de não acabarem, quando á noite estava na cama e recebia uma chamada tua e corria rapidamente para a casa de banho com medo que desligasses, e falávamos baixo para não acordar ninguém, quando acabava com um “amo-te, dorme bem”. Aí sim, tinha vontade de dormir, sabia que no dia seguinte iria acordar com uma mensagem tua de bom dia, e quando na escola não largava o telemóvel, sempre a falar contigo e á espera de uma mensagem. Sempre que recebia uma, formava-se um sorriso incontrolável em mim, um sorriso aparentemente parvo, mas era a simplicidade de um sorriso, transmitindo a complexidade da felicidade. A tua maneira de escrever alegrava a minha, e eu aprendia a escrever contigo. Quando acontecia algo errado, quando me chateava com alguém, quando estava triste, tu ligavas-me sempre, e mostravas-me o lado bom das coisas, davas-me conselhos, maneiras de resolver os problemas… Aí, eu interiorizava e acreditava. Era só pensar “Tenho o Pedro comigo”, e a tristeza diminuía até desaparecer rapidamente. Eras a minha força, só tu me punhas bem, e confiante. Davas-me auto-estima necessária. As nossas mensagens eram sentidas, e verdadeiras, os “amo-te” interiorizavam-me, e nunca duvidei do que dizias. O que aconteceu agora? O que aconteceu? Onde estás? Ainda existes, lá no fundo será que ainda estás comigo? Não te sinto, não sinto o Pedro, não… Nada. Queria pelo menos ter sabido disto antes, para tentar mudá-lo, Desapareceste, deixaste-me sozinha, não me avisaste disto… Não me deste tempo para me habituar, foi tudo sem aviso prévio, foi um choque. Procuro-te interiormente, “Onde estás? Hey, preciso de ti, onde estás? Aparece nem que seja apenas para me explicar o porquê de tudo isto, faz-me perceber…”, choro a dor emocional da tua partida. Embora seja uma partida parcial, vale como inteira, não te tenho na mesma. Deixaste-me, e eu continuo á espera que voltes. Mas cada vez tenho menos esperanças. Eu continuo a combater contra a tua partida, contra o fim, mas o que aconteceu ao Pedro, que eu conheci, e interiorizei em mim? Aquele que nunca me deixava ir abaixo, aquele que suportava a minha dor, tornando-a em felicidade, aquele que me fazia ver apenas felicidade? Não pode ter desaparecido sem mais nem menos. Tem que existir ainda, tenho esperança, que ainda exista, que volte, que suba ao trono, que seja rei de novo. Que mande, que seja a única personalidade, a melhor que eu alguma vez conheci. Não quero perder isso, mas lá no fundo, sei que não volta totalmente, mas pelo menos queria parcialmente, em parte. Quero que cures a minha tristeza, só tu o consegues. Tens a chave para resolver tudo. Sabes, se eu te tivesse como antes, nunca teria chegado ao ponto onde estou, estaria feliz e iria sentir-me amada. Tu irias amar-me, sem dúvida. Pediste-me para te responder, e aqui tens a tua resposta. A resposta que pediste. Talvez depois de leres este texto, não mude nada, quase que aposto. Mas tu pediste e assim, consegui lembrar-te de como eras, espero. Tenho tanta coisa a mais para dizer. No geral quase tudo gira no facto de querer ter-te de volta, posso pedir muito, mas peço porque preciso, simplesmente isso. Espero que percebas agora o que sempre foste para mim.
    Não consigo acabar já, há mais, há sempre algo mais a acrescentar. Tu dizes que devia acreditar quando dizes que me amas, e sabes que eu já acreditei, mas á medida que ficaste diferente, tratavas-me de maneira diferente, talvez tenha sentido um embate maior porque, talvez, me tenhas mimado muito, e depois senti a falta do carinho que tiras-te, que deixaste de dar. Sabes como vejo isso? Vejo como se me tivesses dado tudo, feito acreditar, feito amar-te e finalmente dar-me só a ti, e depois de tiraste-me tudo. Sinto que já não me amas porque não mo mostras, não mo mostras da maneira que me habituei, se me amas não se nota, não mesmo. Não tenho esperança que voltes, é difícil acreditar nisso, porque por mais que grite pelo teu nome em mim, ninguém responde, o Pedro deixou o meu coração, não voltou mais e eu continuo afastada de tudo e todo, á espera que ele volte, sentada no frio do chão, sem o teu calor. O calor que eu precisava, tornou-se agora gelado, algo que me congela por dentro, tirando os sentimentos, apagando memórias passadas e… Esperança.
Eu queria, que percebesses como me sinto, como estou por dentro, como mudei com a tua falta, como… Queria que soubesses a dor que sinto, a dor que me incapacita de voltar, que me empurra para o chão, que me corrói e que me abstém do passado, quando que o mais quero e ganhar força para sair do chão, conseguir levantar-me e procurar-te mais uma vez, voltando a ser aparentemente o que era talvez te encontre, talvez tu estejas bem, talvez não tenhas caído comigo, talvez ainda estejas presente, longe mas se me levantar talvez te consiga sentir de novo, cada vez mais. Talvez voltes para mim, talvez te encontre… Preciso de arranjar forças, forças que podem ser falsas, não me importo que sejam, porque sei que se te encontrar tudo o que era de falso se torna realidade, as forçar iram voltar quase instantaneamente e irei esquecer esta fase da nossa vida, tiraremos a virgula da e riscaremos as partes más, para sempre. É isto que quero fazer, é isto que quero que se torne realidade, mas tenho medo. Medo de lutar por me levantar e procurar-te, procurar-te até esgotar as forças interiores e exteriores, e não te encontrar, nem uma fagulha da tua energia positiva, nenhum amor teu, nenhum resto, de ter o desgosto de perceber que foi imaginação minha, que já não voltavas, de ter caminhado tudo para ficar outra vês no chão e agora o embate seria ainda maior, pelas minhas falsas esperanças. Tenho medo disso. Às vezes, quando estou mal, penso em ti, e imagino o que era-mos antes, finjo que ainda estás cá, que ainda estamos bem, que nada nos separou, que estamos melhores que nunca, que estás aqui para me ajudar e estamos a ajudar-nos mutuamente e consigo por uns minutos sentir um calor, um calor morno, que está comigo, que me impede de deitar abaixo e que me consegue fazer expressar um sorriso, um verdadeiro sorriso sentido. Mas depois, quando volto a mim, sinto-me outra vez vazia, ainda pior, a pensar onde errei, tentar arranjar maneira de sair daqui, de sair deste buraco onde aparentemente caímos, mas onde apenas me vejo a mim, e uma parede. O que haverá para lá da parede? Será que estás lá tu, perdido, sozinho, á minha espera? A espera que eu trepe pelo muro, o muro cheio de ortigas, com espinhos? Eu quero subir, não tenho medo da dor física dos espinhos, a dor de não te ter é maior, muito maior. Dá-me a certeza que lá estás, faz-me acreditar, faz-me subir, chama por mim, responde aos meus chamamentos, reage!
Foi isto que me pediste, aqui tens a tua resposta;

PRECISO DE TI!

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